"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Nota 2



Os sonhos do poeta não podem possuir nenhuma sanidade. Talvez, limites, mas nunca barreiras. Tenho sonhado com coisas estranhas, não há harmonia em meus sonhos nem felicidade aparente. Ultimamente tenho vivido coisas estranhas com os olhos fechados. Diria sonhos ou pesadelos? Não sei precisar, contudo penso ser algo particularmente estranho quando eu vivo sob as sombras dos olhos. De repente, prefiro a vida e a realidade. Os sonhos são máquinas estranhas de monstruosidade. 

F.G.M.

Poemas do Frio Forte in Antonio Miranda




Confira dois poemas do Frio Forte no site agregador/divulgador de poesia (de ontem, de hoje e de sempre) do meu camarada poeta Antonio Miranda, que fez este lacônico e relevante comentário sobre o livro: “Confessional, inquisidor, perquiridor, arauto de nossos sufocos e alucinações, mental e verbal, venial, sintonizado com os tempos dilacerantes que (re)vivemos ou em que fenecemos. Poemas longos, desbordantes. Ele sente frio em zona tórrida!” ANTONIO MIRANDA.
 
Para acessar, clique aqui: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_grande_norte/felipe_garcia_de_medeiros.html

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Dois poemas do livro Frio Forte in LiteraturaBr

Pessoal, confiram os poemas publicados no site LiteraturaBr!

Breve biografia:

Felipe Garcia de Medeiros nasceu a 1989, em Imperatriz - MA. Praticamente nasce, pois desde cedo, passou a infância em Tocantins, conhecendo a sua beleza bucólica, as lendas, mitos, e o contraste incessante entre cidade e natureza. Vivida essa experiência, habita residência em Caicó, no Rio Grande do Norte. Desde jovem, interessou-se por mitologia grega e, após cursar Letras em Natal, descobriu a Literatura. A poesia virou sua vida, sua paixão, seu corpo e seu habitar, pois, como dizia Drummond, esse poeta é “uma casa sem raiz” e, por isso mesmo, aquele que se insere na contemporaneidade contra a estagnação lírica de seu tempo. Em 2012, publica seu primeiro livro de poemas, Frio Forte. Com ele, dá início à sua produção poética desregrada, desterritorializada e rizomática. A editora Penalux publica, novamente, a primeira obra de F.G.M., Frio Forte, no ano de 2014.  Felipe Garcia de Medeiros já preparou seu novo livro de poemas, Cápsula, que é a descontinuidade, um livro-poema, O Lobo Afrontado do autor, que será publicado pela editora Kazuá ainda este ano. Para mais informações, acessar o blog do poeta, que é: http://opoetafelipegarcia.blogspot.com.br/.

Para ler os poemas, clique aqui: http://www.literaturabr.com/2014/04/10/2-poemas-de-felipe-garcia/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Caderno Poético 3



A graça do começo, a pétala de oásis que vinha da minha boca seca, do meu peito pálido, a ânsia. Quanto mais cria, mas via que só o que havia era a Distância, cada vez mais longe – monge absoluto, vagando nos ermos vales da lembrança, talvez se recordando de quem fora, vendo a plena realização do ser que ia, milagrosamente, viver em si e para si. O estado de graça. No início, é feroz: a pantera, o tigre, a própria vida. Que fazer? Desistir? O que somos nós? Monge no caos, um sonho de menino – que poderia ser... Cadernos riscados com versos/inúmeros do Homem-Aranha.
Desafio/desafio/desafio sem cessar (é raro admitir que a iluminação pessoal é tão burocrática quanto a pública, mas é uma verdade). Passamos por mais fases do que o Mário no videogame e as mulheres na vida quando começamos a escrever seriamente. Um pula/pula sobre os inimigos, uma dor na barriga pela manhã ao lembrar-se dos compromissos atrasados/leituras/prazos, outro ódio desmesurado pela mudez na alma e uma comemoração inútil por uma coisa mais inútil ainda.
Existem horas tão grandes na vida, das quais nem percebemos que o mosquito fino está sugando saborosamente o nosso sangue – e é nessa hora estranha/de mordaça, que acontecem os hematomas na superfície do corpo, responsáveis pela purificação do espírito na eternidade. E pelo verbo iam-se transmitindo forças inimagináveis que habitavam a palavra escrita primeva, erigindo sensações mortíferas do lugar (desconhecido até pelo demônio) onde estão guardados os grandes da história até o dia do juízo final. Eu não pensava muito nisso – mas era uma verdade.
Recordo de um livro que comprei que falava da arte espiritualizada, profundamente inspirada, e o escritor deveria esperar fases da lua, horas especiais no ano para produzir, coisa assim, dando exemplos de escritores – como uma fórmula mágica para realização da obra artística sem o esforço necessário do gênio do esforço. A criação poética se resumia a alguns caprichos universais que demandava paciência calendar daquele que se propunha a seguir essa receita. Contudo, não me submeti a esse regime estético falido para salientar os meus ossos na estrutura dos meus poemas.
Tive tanto susto quando (confesso que me empolguei bastante), com pouco mais de dezessete anos, escrevi As idas aos Impérios com as Musas e Adamo, lendo e relendo tanto quanto eu podia pela felicidade do “feito”. Era absurdo/juvenil o entusiasmo, embora verdadeiro. De certa forma, tenho saudades desse entusiasmo, porque, no fundo, era ele que me movia incessantemente para direção em que me acho hoje.  Na verdade, era incrível como eu sentia um ímpeto inexplicável de escrita – as coisas se enredando em minha cabeça, as histórias vividas me sugando e espremendo meus miolos para o papel fizeram com que eu não parasse de escrever por muito, por um longo e tanto tempo.
Pensei diversas vezes sobre como continuar vivendo assim: pelas ruas de Parnamirim, estradas de barro dos campos do aeroporto, capins, tardes e hospitais em greve, com a bolsa cheia de uns livros do sebo do Irmãozinho e do Magno com a esperança em tudo que eu carregava nela. Não espera a hora para chegar e, na minha casa, ansioso como um ansioso, ler os poemas novos que descobri nas tardes piches sóis pessoas e lojas farto de tudo que era vivo tomando café no chão.

F.G.M.


definição

ser poeta é minha maneira de inexistir sozinho. F.