"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

sábado, 7 de julho de 2018

Dimensão do erro


Todos os dias nascemos e morremos. Quem há de sonhar com templos onde divagamos sobre futuras quintessências?
Não adianta se redimir diante de palavras sutis e fardos extremos.
É a lei eterna. De onde viemos? Assim se faz e se desfaz o ciclo sem fim de nossa ignorância. A quem procuras no vazio? E nosso coração é um pedaço de silêncio na alma do caos. Ontem eu mesmo me joguei de um abismo e, vejam, como me refiz!
– Eu corro feito um louco para atravessar o rio violento que me arrasta da vida. Infelizmente, nunca saberei a hora de parar.
E foi assim com tudo em minha vida. O meu desejo impassível de sempre seguir adiante para alcançar tudo aquilo que me foi dado em apenas um segundo perante toda a eternidade da existência.
E segui, silenciosamente, em meu caminho enfeitado a horas e passados. Me enxerguei entre aqueles que faziam parte de mim e todo o céu era plenamente azul e desconhecido. Agora, eu não os vejo mais, é tudo aqui, ou é tudo além do que poderia ser se eu não soubesse de nada.
E são sóis.
E em cada um desses sóis habita um sonho.
E em cada sonho em que um sol abriga o calor sempiterno do espaço, há um germe que se contorce entre a vida e a morte.
E nunca alcançaremos. E sempre estaremos à espreita deles, como formigas tontas depois duma enchente oriunda de um copo d´água.
Do mais especial, estranho, inacessível e longínquo, o propósito universal recrudesce.
É tão maior do que qualquer obra humana.
Impossível compará-lo às divagações platônicas.
Parei um segundo para respirar. São formas arcaicas e ancestrais que transitam pelo meu corpo como pássaros errabundos do ninho absoluto do tempo.
Suspirei fundo e tudo aquilo que me possuía, de repente, se tornou apenas fome, desejo, sono, anseio.
Por que me colocaram lágrimas de cristal?
Eu quero arrancar meus tímpanos.
Destroçar meus exércitos.
Deem-me o que peço, por favor! Não há nada mais prazeroso do que provar do próprio suor de nosso desespero.
Sonhando ou dormindo, cada estrela inicia seu ciclo ao fim de uma era, e todos veneramos os destroços de um deus prematuro.

F.G.M.

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