"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A resposta



De repente, as portas estão fechadas e você se vê através do vazio. É só mais uma noite, é só mais um dia, é só mais um. As portas estão fechadas e seus olhos tentam atravessá-las como uma espada cega diante de um escudo de prata e todos os dragões que sobrevivem à escuridão da porta, surgem, bramem, cospem fogo. A porta queima e você os vê.
Eles são gigantescos. Maiores do que todos os teus pesadelos.
Tão grandes quanto as nuvens mais densas e tão rutilantes quanto o sol. Você desejaria nunca ter tentado abrir a porta, nunca ter saído de casa para encarar a aventura, os desafios, os perigos de uma jornada espiritual.
O grito das bestas é ensurdecedor! Aos poucos, seu coração é tomado de medo e suas mãos congelam como um bife no fundo do congelador da geladeira e sua alma se torna oca, opaca, petrificada como um suspiro.
Por que lutar?
Para cair uma última vez?
Eles não te deixam pensar muito e, quando você menos espera, você é só um corpo caído no meio do silêncio. Eles gritam mais forte ainda e, bestialmente, se vangloriam.
As asas ferem as paredes e seus rabos trincam o chão.
Aquele que tentou abrir a porta foi esmagado e triturado junto ao pó e ao sangue de tudo que acreditava.
É o fim. Ele nunca terá a resposta. Uma armadura vazia repousa ao seu lado.

F.G.M.

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