"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

domingo, 15 de outubro de 2017

Dos caminhos do reconhecimento



Em cartas trocadas sobre Castro Alves entre dois grandes nomes da literatura brasileira, destaco:

 “Ínvios caminhos por onde se vai à decepção, à indiferença e finalmente à glória, que são os três círculos máximos da divina comédia do talento.”
José de Alencar

Em resposta:

“Contra a conspiração da indiferença, tem V. Excelência um aliado invencível: a conspiração da posteridade.”
Machado de Assis

F.G.M.

domingo, 8 de outubro de 2017

Smartphone ou do hábito de ler



Ler é, deve ser um hábito. Ninguém duvida disso, mas poucos chegam muito longe para provar de tal verdade. Imagino que, ao lançarem os queridos smartphones, ninguém se agarrou a eles e provou ser tão fiel a esses aparelhos que fosse incapaz de largá-los um segundo sequer para poder ir fazer qualquer coisa, como: ver as estrelas, o entardecer urbano ou até mesmo ler algumas páginas velhas de livro.
É interessante notar como os celulares, falarei assim, se tornaram a nossa “vida”. Nada menos do que isso. Saímos com eles, passeamos com eles, falamos com eles, dormimos com eles, acordamos com eles, vamos ao banheiro com eles, enfim, somos parte dele. E o nosso dedo não se cansa de deslizar no vazio absoluto que tal aparelho causa em nós depois de algumas horas de uso. Sísifo não mereceria castigo pior!
E esse incessante movimento de repetição transforma as pessoas em meros instantes de promoção de consumo, de ego e de vaidade. É da nossa energia vital que os celulares contemporâneos se alimentam dia a dia. Inevitável negar que estamos vivendo uma era em que o espelho, pela primeira vez, perdeu a importância crucial que teve na história humana, para ceder espaço a esses pequenos aparelhos de multiplicar imagens.
Agora, voltando à questão da (falta de) leitura, o que estou tencionando dizer é que, em verdade, toda a sociedade começou a supervalorizar o celular porque houve um processo contínuo e crescente – da mídia, das empresas, da política, da tecnologia em geral – em produzir cada vez mais conteúdo e comportar cada vez mais publicidade e investimento no tempo vazio dos outros, na inflamação ininterrupta do ego humano e em sua solidão inerente para prendê-lo ou arruiná-lo em sua própria imagem.
Daí, criou-se um hábito, não foi do dia para a noite, e todos abraçaram esse “universo” que agora fazia parte de cada um de nós. Quantas vezes vocês pararam de ler este texto para verificar teu universo? A leitura de livros se tornou algo maçante, entediante e de difícil identificação. Ora, em um mundo “personalizado” em que tudo o que consumo deve partir da premissa de que eu devo gostar, logo se percebe que a tendência para termos certeza do que gostamos se tornou, para o mercado, o ponto fraco necessário ao controle e à alienação do sujeito possuído pelo desejo imensurável.
Do que gostamos, afinal? Eis a questão: do que eles querem que nós gostemos? A cada dia tenho cada vez mais certeza de que a leitura é o caminho mais curto para se descobrir do que realmente se gosta. É o mais curto e também o mais árduo, e também o mais intenso, e também o mais autêntico caminho pelo qual tu passarás e terás a consciência de que és parte de algo maior, confiado apenas àqueles que conseguiram desenvolver uma linguagem capaz de criar – completamente – tudo.
Não devemos jamais nos perguntar quantas páginas um livro tem, mas, muito pelo contrário, a pergunta deve ser: quanto tempo nós temos para ler? E de repente sua vida não precisa ser mais aquilo que fizeram dela ou, através de você mesmo, do que fizeste contigo enquanto não tinha consciência de nada. Assim como os celulares, que conquistaram o mundo, pouco a pouco, se infiltrando em nossas câmaras vazias, a leitura deve te completar aos poucos, te invadir, te saquear. E não coloques barreiras invisíveis contra ela! A vida pede, com urgência, a vossa intervenção.
Comece a ler, pouco que seja. O mundo, verás, não é apenas aquilo que dizem que é. A leitura vai te mostrar aquilo que não te dizem e você, por algum motivo, se nega a conhecer. Leia e descubra, como um hábito, que você pode transformar sua prisão em algo maior do que a liberdade. Faça, dia a dia, como aquele que, ao acordar, pega o celular ainda de olhos fechados para ver se o mundo, definitivamente, acabou.

F.G.M.

domingo, 1 de outubro de 2017

Primeira lista de recomendações de livros para ler


Alguns clássicos (Maravilhosos ou irresistíveis)

1 A arte de amar, Ovídio.
2 Odisseia, Homero.
3 Dom Quixote, Cervantes.
4 O Alienista, Machado de Assis.
5 Cinco Minutos, José de Alencar.
6 Metamorfose, Kafka.
7 A linha de sombra, J. Conrad.
8 Hamlet, Shakespeare.
9 Macbeth, S.
10 Iluminuras, Rimbaud.
11 O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald.
12 Da amizade, Cícero.
13 Fédon, Platão.
14 Folhas de Relva, Walt Whitman.
15 O médico e o monstro, R.L. Stevenson.
16 20 mil léguas submarinas, J. Verne.
17 Crime e castigo, Dostoiévski.
18 Ficções, J.L. Borges.
19 Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley.
20 Cada homem é uma raça, Mia Couto.
21 Contos, Edgar A. Poe.
22 Contos, Horácio Quiroga.
23 Aura, Carlos Fuentes.
24 Trilogia Tebana, Sófocles.
25 A pérola, John Steinbeck.
26 Fahrenheit 451, Ray Bradbury.
27 A arte de amar, Erich Fromm.
28 Arte poética, Aristóteles.
29 Do amor, Stendhal.
30 A Morte de Ivan Ilitch, Tolstói.

F.G.M.

definição

ser poeta é minha maneira de inexistir sozinho. F.