"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Depois da intensidade




Saneamento insano: esgotado, tampo.
Os meus olhos me falam mãos. Me querem dedos. Me vivem chão. Em suma: nervos. Eu não descanso tédio nem me estiro líquido. É a coisa mais insensata que já fiz: escrever sugado esquelético pedinte.
Agachado, rolando, inválido, doente. Escrever... assim me vive matando em texto. Por que me vou ainda frágil?
Estupidez: a mínima paciência para pensar numa linha reta o que não consegue me sustentar ajuizadamente. Flores e línguas e sangue. Identidades explodindo. A sorte tente. O tênis joga. Quem me removeu vive-me. Quem me vê se explica.
Aqui cheio. Missões, missões, missões. Reinos, reinos, reinos. Duras promessas promissoras. Tentei. Fui. Espera só.  Esperem-me, não comecei ainda. Agora sim: algumas noites para me adoecer completamente entre arrogâncias e ossos.
Nunca. Um instante, leitor, preciso me recompor verbalmente. Estamos em qual dia mesmo? Depois de tanto tempo, não se torna necessário saber onde nem quando estamos. Eu me duvido pouco.
Queria mais tempo para me faxinar os móveis. Tanto faz agora – mesmo repetindo –, nada me revigora tanto quanto umas pequenas palavras – bem, isso, força. Elas me aliviam de mim. Tenho feito muito para nada nestes últimos meses. Apertos. Pequenas decepções.
Eu não queria ter que repetir nenhum verso, nenhuma fórmula me faria escrever o de novo. Agora queria repousar dignamente. Quantos podem? Eu já não me sei mais nestas terras. Esmagado ou falido, talvez me fosse o bastante sumir-me.
Tentem-me aí. Faça-me um esforço o suficiente para me deixar sem completamente. Deveríamos sempre nunca agir quando não se deve amanhã.
É a cabeça, é o peito, são as costelas e as válvulas sanguíneas. Quem me dera ter nada isso com tudo é. Me ajudaria mesmo parar mais para ir melhor. Andei fazendo do meu tempo um morto mesmo vivo. Um inválido, diria. Um crápula – quiçá. É, sim, isso da alma.
Estou farto do grito que me secou no insulto. É – fartíssimo dos que me procuram pela manhã agonizando ou flertando queda.
Sacrifício maior do que eu não existiria ou tu. É tão fato o fato de não nos ensacarmos, que além de tudo mais, nada tudo em todavia.
Sério isso? Ameno isso? Ameno aquilo? Amanhã eu – tu ele nós – narizes?
Tentei tirar de mim esse ranço, o desejo de continuar palavra – a alma costurada nela. Não – nem sede nem fome ou qualquer sobrevivência –, nada, tudo me livraria de viver se eu não conseguisse incorporar palavras como deixá-las me possuir delírio sendo.
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F.G.M.

definição

ser poeta é minha maneira de inexistir sozinho. F.