"The poetry of earth is never dead" (A poesia da terra nunca morre) Keats - "Construir para se destruir" Paul Valéry - blog do Poeta F.G.M.

domingo, 25 de outubro de 2015

E?



Francamente, eu nunca me interessei por K-pop.
A minha última preocupação foi com os ninhos que eu tinha plantado em frente ao meu lar. “Será que os aguei?” – pensei antes de ver tudo cair, literalmente, por água abaixo. Sim, antes que me esqueça: eu também pensei em qual filme iria ver à noite.
O tédio era meu norte. Creio que esse era o sentimento global. Era moda falar assim, “sentimento global”, me perdoem, fazer o quê? Chegaria uma hora em que todos iriam se perguntar: e?
Vivíamos bem. A maioria se preocupava com a barriga, e a outra, com a falta dela. Uns, mais exatamente com o umbigo, pouquíssimos, com a saúde. Estávamos a meio caminho do descontrole total.
Contaminamos o veneno. Obstruímos a procura.
Potencializamos as dores.
Pioramos as feridas.
Negamos o saber. À direita, sucumbimos.
Jamais imaginaríamos que pudéssemos subverter a benevolência e constituir uma ética do mal.
Nem o mais terrível conto de Lovecraft poderia narrar o gênesis dos monstros de nossa insurgência hostil à humanidade.
As cidades estavam cheias de milhões de pessoas que não se importavam umas com as outras. A arte de conviver superou o limite das contradições. De repente, tudo se foi. Era uma vez.
Elas jamais poderiam me guiar. Portanto decidi abandonar o caminho das formigas. Quando me deixaram na rua, eu não sabia que a noite era tão dura e me perguntava: por que a festejam? Não faz mais sentido.
Era eu quem estava à deriva ou todos estavam afogados. Enfim, a era do serpentário havia chegado.
Durante o ano inteiro buscamos fugir ao imperativo cruel do fim dos tempos. Na verdade, não ligamos muito para isso, embora a aflição contamine nosso silêncio como uma lufada enquanto dormimos.
É assim: o amanhã nos abre o invisível repentinamente. Alguns o percebem, mas quase ninguém o procura.
Mesmo depois de evoluirmos em meio ao niilismo do cosmos, à falta de vida, nunca conseguimos descobrir qual é a nossa maior qualidade.
Alguns zumbis poderiam ter aparecido aqui à noite antes de eu acordar. Ninguém duvide: eles estão sempre despertos e nos procuram quando mostramos qualquer sinal de vida humana e civilizada, o cheiro de carne, perfume e ideias.
Foi incrível: algo me ouviu no meio da noite, e suspirei.

F.G.M.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Poema de Abertura do livro Pó-E.t



O primeiro poema do livro, ilustrado, mostrando a singular visão crítica de João Lemos quando os chamou de poemas-moai.


Fiquem atentos! O lançamento vem aí!

F.G.M.



definição

ser poeta é minha maneira de inexistir sozinho. F.